quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Joaninha

Com mais um de meus intermináveis períodos dionisíacos, tenho chorado até sentir a garganta implorar-me para parar, meus olhos me dizerem que não têm mais água e minha barriga se contrair. Tenho feito caretas para a vida, ainda que com o Sol brilhando lá fora.
Hoje uma joaninha pousou em minha blusa. Eu a peguei na mão e depois de alguns segundos, ela bateu asas e levantou vôo. Acho que minhas lágrimas abrangem isso também.
Eu não tenho do que reclamar da minha vida. Não derramo água salgada por ingratidão ou, como eu mesma digo, bichisse. Acho que é apenas medo. Medo de perder tudo de uma hora pra outra. Medo de perder todos de uma hora para outra.
Esse final de ano talvez represente pra mim muitas mudanças, e eu tenho muito medo disso, afinal, estarei entrando num último ano de uma trajetória longa que foi acompanhada por pessoas muito especiais. Mais um ano vai se passar e todos vão continuar envelhecendo. E, meu Deus, que medo que eu tenho de perder vocês.
Que medo que eu tenho de, daqui a pouco, olhar pro lado e me ver sem o meu Gustavo. Que medo que eu tenho de, daqui a pouco, olhar pro lado e me ver sem meus avós, sem meus tios, sem meus primos, sem meus pais, sem minha irmã. Estremeço por inteiro só de pensar nisso, porque é a coisa mais horrível que poderia me acontecer qualquer dia.
Eu quero, sim, que todos vocês batam asas, mas, pelo amor de Deus, jamais levantem vôo. Isso pode ser egoísmo, mas eu simplesmente não posso perdê-los, de jeito algum.
Eu tento me distrair e, por vezes, até esqueço de tudo, mas assim que desligo a TV, o computador, assim que fecho meus livros, que guardo minhas canetas e lápis no estojo, assim que deito, assim que entro no banho, assim que paro de falar, o medo me invade novamente.
Ele só está aumentando, e eu não sei o que fazer para terminar com toda essa angústia.
Eu só queria conseguir fazer aquelas três palavras saírem de minha boca algum dia, principalmente para meus pais e minha irmã. Eu juro que tento cada dia mais, mas parece que a cada dia os amo mais e mais, logo, torna-se mais difícil.
Talvez eu poste isso e talvez não, vai depender da consciência de meus dedos.
E se algum dia eu levantar vôo antes de vocês, que pelo menos minhas palavras daqui prevaleçam com vocês, tomando a forma de meu amor.

3 comentários:

Leka disse...

você é linda e eu te entendo completamente. te amo

Anônimo disse...

Parece crichê mas viva cada momento como se fosse o último, faço disso minha vida e aparento um desesperado, por viver e não tenho medo de perder nada pois tenho a certeza de que cada momento foi vivido como o último.

disse...

As palavras mais dificeis de falar são aquelas mais sinceras. Não tenha medo de dizer. E se não conseguir falar, tudo bem. Atitudes valem muito mais do que três ou mais palavrinhas. Sabe como é, né? More Than Words.