terça-feira, 4 de novembro de 2008

- Minha filha?

Todo o brilho da Lua refletia-se no negro cabelo comprido e liso dela. Sua franja caída nos olhos os deixavam um tanto quantos místicos. Seus longos cílios protegiam seus rubis mais verdes que qualquer outros. Seu nariz era fino e alongado aristocratamente. Suas sobrancelhas eram razoavelmente finas e curvadas, dando-lhe um leve ar de tristeza que entrava em contraste com seu sorriso branco que se escondia debaixo de sua pinta no canto direito da boca. Deus, todo seu rosto.
Seu pescoço tinha duas pintinhas que quase alcançavam o ombro esquerdo. Meus Deus, todas as pintinhas.
Seus ombros eram magros e desciam por braços compridos e mãos alongadas com unhas bem pintadas debaixo dos vários anéis. Oh, os anéis...
A maneira com que pegava o copo e o colocava na boca, a maneira com que engolia o líquido, a maneira com que devolvia o copo à superfície da mesa ao mesmo tempo que passava a língua discretamente pelo canto dos lábios achando que ninguém perceberia, a maneira com que rodava o anel de seu indicador direito, a maneira com que jogava o cabelo para o lado direito, tornando-o mais volumoso, a maneira com que sorria agradecendo ao garçom, a maneira com que revirava a bolsa em busca de um batom, tudo, tudo o que fazia, meu Deus, ela era perfeita e havia saído dele. Como ele poderia ter criado algo tão perfeitamente magnífico?
Tanta magnitude, entretanto, trazia-lhe tristeza. Oh, Deus, ela era tão ela... Ela era tão a mãe dela. E a saudades que sentia de sua mulher era indescritível.
E cada dia mais se odiava por não saber se amava a filha por ser ela mesma ou simplesmente por ser igual á mãe em cada aspecto particular.


Natália Albertini.

Um comentário:

Anônimo disse...

mto bon, senti falta da musikinha q vc sempre coloka junto