domingo, 24 de janeiro de 2010

Pobrezinho.

A chuva não cessava nem por um instante e o interior do carro começava a ficar quente demais.
- Eu quero tomar chuva - disse a garota, começando a abrir a porta do automóvel.
Ele a censurou, segurando-a pelo braço.
- Fica aqui dentro, é melhor - e aproveitou para treinar sua voz sedutora enquanto passava voluptuosamente a mão pelas coxas dela.
Ela sorriu maliciosamente, lambeu-lhe a orelha e, sem mais palavras, pulou para fora, sentindo a pesada chuva encharcar-lhe. Fechou a porta atrás de si e ficou a deleitar-se com a sensação das pernas sendo molhadas, os chinelos, os shorts e a regata colando-se à pele.
Ele saiu e deu a volta no Audi prata, alcançando-a.
- Você não é lá muito sensata, não? - abraçando-lhe pela cintura.
- Não - e sorriu.
- Só disse para ficar dentro porque está muito escuro aqui, dentro do carro parecia mais seguro. E agora molharemos os bancos ao voltar lá pra dentro - sorriu, disfarçando a dor em admitir que talvez danificasse os bancos do seu bebê. Simplesmente não parou pra pensar que talvez não voltariam para o carro.
Os corpos se entrelaçavam enquanto as línguas se enroscavam e os lábios colidiam. As mãs corriam de cima a baixo, por vezes se encontrando, por vezes se apoiando no carro.
Deixando a libido dominar seu amor pelo carro, o rapaz a sentou no capô, inclinando-a para trás e tornando as passadas de mão cada vez mais...baixas, por assim dizer.
Clique.
Ele se pôs ereto, com os olhos arregalados, procurando por algo atrás dele, olhando atento para a casa da esquina,cujo muro era coberto por trepadeiras.
- Ouviu isso?
Ela riu alto.
- Que foi? Tá aí todo aflito.
- Você ouviu isso?!
- Isso o quê? - e puxou-lhe para perto de novo pela gola da camisa, porém logo tendo o beijo rejeitado, o que lhe provocou uma careta de irritação - Porra!
Ele tapou-lhe a boca com a mão direita, enquanto colocou o indicador esquerdo à frente dos lábios, pedindo silêncio.
Clique.
- Isso! ISSO! NÃO OUVIU?!
Ela continuava inabalável, só ficando mais e mais irritada. Esquivou-se dele e se pôs de pé.
- Ouvi... É o som da insanidade. Certo?
Ele revirou os olhos para a impaciência dela e se afastou, olhando ao redor, procurando de onde vinha aquele barulho tão perturbador.
Depois de alguns minutos de silêncio e procura em vão, ele desistiu.
- Ah, ao inferno - e voltou a beijá-la, deixando-a satisfeita.
Surgiu então, ao lado direito do casal, uma voz súbita e macia:
- Me procurando, bonitão?
Os dois abriram os olhos e viraram os rostos, com os corpos ainda imovelmente entrelaçados, em direção à loira que se postava ali, de pé, sorrindo.
A expressão que tinham nos olhos era puro susto.
A moça de cabelos compridos e claros deu alguns passos, ficando atrás do rapaz, que ainda abraçava sua namorada-por-uma-noite. Passou os braços pela cintura dele e sussurou de maneira que ambos a ouvissem:
- Eu estava por ai, sem ter aonde ir, e aí me deparei com vocês - sua voz era incrivelmente melodiosa - Fiquei observando-os por certo tempo. Tenho de admitir que vocês dois são muito... calientes - seu riso soou, simultaneamente, inocente e atemorizante.
- O que você quer? - perguntou a menina, de fato curiosa sobre a resposta.
- Bem... Digamos que vocês me...despertaram. Eu estava pensando se... Eu não poderia participar da brincadeira de vocês?
Com a mão direita, ela acariciou a virilha dele e, com a esquerda, um dos seios dela, sorrindo prazerosamente.
Enquanto ela os seduzia, sorrindo convincentemente, uma voz masculina surgiu à esquerda:
- Não vai me apresentar seus novos amigos, Dimitra?
Novamente o susto. Os olhares se voltaram para a figura de cabelos escuros, à altura do maxilar, e de pele clara, ao lado.
- Ah - e aquele sorriso estonteante novamente - Andreas, estes são Magno e Belina.
O casal, que já sucumbia aos encantos da loira, sobressaltou-se ainda mais. A garota disse:
- Espera aí... Nós não te dissemos nossos nomes!
- Nem precisavam...
O homem, alto, postou-se atrás de Dimitra, enlaçando a todos com seus braços compridos.
A cena, de longe, parecia uma orgia sob a chuva que havia se tornado torrencial.
- Achei que tínhamos um acordo, D. Dividimos os lanches, certo?
Um sutil tom de receio pareceu passar pela voz da loira, mas logo desvaneceu-se:
- Ahn...sim. Eu só os estava aquecendo para você.
- Ah, que altruísta você - a risada dele assemelhou-se a um trovão.
- E então, o que acham da nossa proposta, meninos? Todos juntos. Nada mal, hein?
O casal entreolhou-se apavorado. Aquilo estava começando a ficar estranho em demasia. O rapaz começou:
- Olha, acho melhor irmos andando... Já é bem tarde... E somos meio...reservados.
- É... - entretanto, a menina não parecia muito convincente. Como estava de frente para todos os três outros, seu olhar se prendeu no homem recém-chegado. E ele era incrivelmente belo. A mulher também não era de se descartar...
Quando tentaram se esquivar daqueles dois pares de mãos que os tateavam com gula, foram repreendidos.
- Ora, essa, Magno. Não é lá tão tarde. E sua Belina ficou bem tentada com a nossa oferta... Por que não experimentar? E nós também somos muito reservados. Garanto-lhes que nosso pequeno jogo não sairá daqui.
Dimitra riu maleficamente.
Num piscar de olhos, eles se movimentaram, separando o casal.
Antes mesmo de entender o que havia acontecido, Magno viu-se preso entre a loira e o carro, e Belina, entre o homem e o Audi.
Os últimos a chegarem se entreolharam, abriram um sorriso de orelha a orelha e começaram a festinha particular deles.
A coruja ouviu os pescoços estralarem e os corpos caírem amolecidos sobre o capô que, infelizmente, passou do prata ao vinho em questão de instantes.

Minutos depois, após se esbaldarem de fluído vital humano, Dimitra rolou os corpos para o declive próximo que terminava no rio.
Quando voltou, Andreas a esperava, já sentado atrás do volante.
- Belo Audi este. E pensar que ele não tinha nem 20 anos. O pai deveria ser milionário...
- Sim... Mas da próxima vez me lembre de arrastá-los para o chão ao sugá-los. É uma pena estragar essa pintura.
- É vero... Pobre carro.

Ps.: é, A e D, pobre carro.
Natália Albertini.

3 comentários:

Lenivaldo Silva disse...

Parabéns .
ótimo texto.
Um casal mnuito louco!

Lustosa disse...

hehe parabens pelo texto...pode passar lah qnts vezes quiser... onde fik o botão pra te seguir aqui? pode me seguir la se quiser bjao

Pobre esponja disse...

Muito grande para esse formato (comente no blog acima). Sinceramente, ou falarão que adoraram sem terem lido, ou farão como eu. Sugiro que faça por capítulos. Bom, é só uma dica.

abç
Pobre Esponja