sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Easy times.

Estava recostado à parede externa do barzinho, já que não era mais permitido fumar lá dentro.
Tinha o cabelo escuro cortado irregularmente meio bagunçado, a mão esquerda no bolso dos jeans e a direita segurando aquele pequeno palito vicioso. Seus olhos vagavam pela rua, vazios de sentimento, mas cheios do constante castanho.
A camisa listrada de amarelo e branco estava aberta até o quarto botão, deixando à mostra a camiseta lisa branca que vestia por baixo.
A música que vinha lá de dentro era contagiante, e ele podia mentalizar, ou quem sabe até mesmo ouvir, seus amigos entornando as canecas de cerveja e rindo alto.
O celular vibrou no bolso de trás da calça.
Colocou o cigarro na boca e deu uma tragada enquanto pegava o pequeno e moderno telefone protátil que tinha na tela o aviso de "1 nova mensagem de texto".
Apertou a tecla que indicava "ler". A mensagem era:

E aí gato? Q vai fazer amanhã? Sdds! Mi liga. Bjs!
*;

Fechou o celular e o colocou de volto no bolso, logo pegando com os dedos o cigarro novamente.
Que menina mais idiota... Eles haviam saído só uma vez, ela teve uma postura completamente receptiva, senão até agressiva. Se beijaram sem mais nem menos, transaram naquela noite mesmo. Ela nem se importou em voltar para casa de ônibus.
Que menina mais idiota...
Ele estava cansado delas. Cansado daquela atitude tão passiva, tão aberta, tão...fácil.
Ele queria alguém que o fizesse ter a vontade incontrolável de levá-la até em casa, que o despertasse fisicamente, mas que o fizesse lembrar que o respeito vem antes de qualquer atração.
Passou os olhos por algumas meninas que caminhavam ali.
Uma delas lhe chamou atenção. Até cogitou em falar com ela, mas ai a viu abaixar-se e vomitar a única coisa que tinha no corpo a noite toda: puro álcool.
Aquilo o repeliu, seus lábios desceram numa careta de asco.
Deu uma última tragada e jogou o cigarro ao chão, pisando em cima.
Voltando para a mesa com seus colegas, pensou que jamais encontraria alguém assim, isso não existia.

Mais tarde naquela noite, quando estava pagando a conta, avistou, ao longe, na pista de dança, uma garota um tanto quanto incomum.
Ela fixou os olhos nos dele por alguns segundos, mas nada mais.
E agora? O que fazer? Será ela só outra fácil? Ou será a mulher da minha vida?
Indecisão, frio na barriga.
Think fast, time's runing out.
Time's always runing out, slipping through your fingers.
Ah, melhor deixar pra lá... Afinal, o que é mais provável?

Ps.: nós e essa mania de nunca pensar no improvável.
Natália Albertini.

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