segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pulmões sonolentos.

A persiana branca abaixada.
Rasas partículas de ar entrando naquele quarto lilás.
Um caderno aberto sobre o criado-mudo, uma de suas páginas preguiçosamente tentando se virar.
Sobre a cama, lençóis amarrotados.
Um corpo jogado, embaraçado.
Pernas alongadas, um joelho à altura do peito, quadril desencaixado. Boxer branca e top vermelho. Braços entrelaçados e dedos emaranhados.
Cachos perdidos nas profundezas daquele travesseiro de fronha amarela.
Lábios relaxados, semi-abertos.
Cílios alongados, selando os olhos.
O peito secretamente levantando e afundando, roubando oxigênio para os pulmões sonolentos.
Um ser adormecido e cansado.
Minha não-rotina.

Natália Albertini.

Um comentário:

Rafa. disse...

Tu tem uma prática muito legal de escrever teu sentimento de forma poética, mas indo direto ao ponto. Tive um amigo que sempre escreveu assim também. Eu acho isso bonito.