domingo, 7 de novembro de 2010

Caninos ruminantes.

Suas roupas estavam encardidas de vermelho, enquanto ele já nem mais as tinha.
Ele estava deitado no chão, preso em posição desconfortável, amarrado pelas mãos e pelos pés.
Ela percorria-lhe o corpo, faminta.
Enfiava a mão de unhas roídas pela boca dele para facilitar o ato de lhe arrancar outro pedaço de língua.
Sentava-se a seu lado como uma primata, mastigando aquele naco, satisfeita. Sentindo aquele gosto esponjoso esparramar-se por suas gengivas, emitindo o mesmo som de um leão que mastiga um veado.
Voltava a agachar-se sobre aquele corpo já tão mutilado, reabrindo os cortes e enfiando a língua nos músculos já devorados.
Seu pescoço, seus ombros, suas mãos e seus antebraços inteiros tinham aquele visco rubro escuro já seco. Ela por vezes lambia os próprios dedos.
Ele tinha os olhos fechados, em profunda agonia, e o corpo berrando em derme aberta
Ela já tinha ruminado boa parte de seu corpo e adorava sua expressão de sofrimento.
Tomava mais visco numa taça longa. O sangue passava, quente, por seu céu-da-boca e sua língua, morno, escorregando devagar por sua garganta, grosso.

Foi quando o ouviu balbuciar com a língua frouxa:
- Não se esques do - deu um tempo, tentando dominar o músculo falhado - mmmmmmeu coras...
Ela abriu um sorriso largo e felino, com os dentes sujos de pele e sangue.

Ps.: thks to Cannibal, from Kesha, of course! :D
Natália Albertini.

3 comentários:

Rebecca disse...

I eat boys up, breakfast and lunch!

Renan disse...

Tive todas as sensações possíveis com esse texto!

Rafa. disse...

Textos fortes, textos fortes... ÓTIMOS! Ler algo como isso me faz ter vontade de escrever sem parar sobre o mais profundo sentimento que possa ter.