quinta-feira, 5 de maio de 2011

Fúria.

Acendeu seu Zippo e pôs fogo na ponta daquele penúltimo Pall Mall.
O vento fazia a neve atirar-se ao chão rodopiando em volta daquele amontoado de casacos.
Tory estava ali, recostada à mureta, em jeans e coturnos, sob um imenso capuz que cobria seus cabelos e olhos quase tão escuros quanto a própria noite em volta de si.
Não fosse pela luminosidade do cigarro, seus contornos seriam imperceptíveis ali.
Deu uma tragada e ficou a apreciar o gosto, segurando o palito nos dedos magros, entre o indicador e o médio.
Tão silencioso quanto ela, ele surgiu à sua frente.
Ela não lhe ergueu os olhos, só terminou o cigarro e jogou o inaproveitável no chão, apagando-o com o solado do coturno.
Enfim se olharam.
Bruce lhe entregou um par de chaves. Suas peles não se tocaram.
Ele era mais alto, chegava a quase 1,90m. Vestia um enorme capuz também, mas seus olhos eram acinzentados, embora tão raivosos quanto os dela.
Manuseando o Zippo como de costume, deixou-o para trás e caminhou até a Ducatti.
Montou, ligou o motor e sentiu o doce ronronar.
Posicionou-se bem e pôs o capacete.
Acelerou agressivamente e ganhou a estrada, furiosa.

Ps.: oi?
Natália Albertini.

Um comentário:

Kedley disse...

Minha calma é inversamente proporcional à distancia.