domingo, 23 de maio de 2010

Ainda quente.

Enfurecida, desafiou-o com os olhos.
Avançou e estendeu uma das mãos até o ombro dele.
Dali, suas unhas acharam por si mesmas o caminho até o pescoço pesado e latente.
Fincaram-se na pele quente.
Pressionaram-a, sentido o sangue grosso trafegando.
Sorriu para a expressão de desespero naquela face semi-viva.
Apertou mais e mais as unhas, sentindo o sangue arremessar-se contra a parede da jugular.
Por fim as unhas penetraram o delgado pescoço e o visco saltou para fora, num jato. Escorrendo pela pele e pelos ombros e tórax desnudos.
O líquido quente e maciço escorregava pela pele daquele ser.
Ela abriu o maxilar e fincou-o na origem de tanto alimento, sugando-o. Sentindo a vida dele esvair-se junto com o rubro-negro.
Passaria a noite toda lambendo, sugando e abocanhando aquele corpo sem vida, embora ainda quente.

Natália Albertini.

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