domingo, 2 de maio de 2010

Cheiro de Nivea.

Chegamos à casa de sua irmã. Cumprimentamos os que vieram nos receber.
Alcançamos a cozinha e lá estava ela.
Cumprimentou meu pai, teu filho, minha mãe, tua nora, minha irmã, tua neta, e por fim a mim, tua.
Tive que me abaixar um pouco, pois de repente pareci muito alta.
Ao abraçá-la, meu Deus...
Ela tem teus ossos pesados, teus ombros, teus braços, tuas pernas marcadas.
E acho que o pior de tudo é que ela tem o teu cheiro, vó.
Fui obrigada a me afastar das pessoas por uns vinte segundos. Meus olhos estavam marejados, minhas mãos desesperadas para tocar as tuas.
Tentei não estabelecer contato, até mesmo visual, com ela.
Foi simplesmente doloroso demais.
É...
Aquele domingo foi completamente violento para mim. Me desmoronou.

Natália Albertini.

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