quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Memoráveis Sensações

McFLY - Friday Night
<\embed> src="http://www.mp3tube.net/play.swf?id=4e6db6b639cfdeeb824962212aa01aa0" quality="High" width="260" height="60" name="mp3tube" align="middle" allowScriptAccess="sameDomain" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" menu="false"
O ponteiro menor do relógio beirava o número sete, e o menor, o onze. O astro-rei ainda deleitava os humanos com raios praticamente intensos e quentes. A massa morna, azul e cintilante arrastava-se preguiçosamente pela areia, tocando os pés da garota que, por sua vez, aproveitava o ambiente ao máximo possível.
Morgana encontrava-se deitada naquela imensidão bege de minúsculos e quase invisíveis grãos, sedimentos de pedras. A brisa era suave e lhe acariciava. As costas nuas lhe permitiam entrar em contato com o solo. As pernas estavam dobradas e apoiadas nos pés. Os braços, deitados sobre seu tronco. Os cabelos, presos num coque.
Checou as horas em seu relógio comprada para ser usado especificamente na praia, com desenhos e estilo apropriados. Decidiu ir para casa e se arrumar, teria uma noite longa.Levantou-se vagarosamente e despediu-se do mar e do Sol, dando-lhes as costas e dirigindo-se à avenida principal. Atravessou-a e rumou seu caminho para o prédio.
Ao chegar ao apartamento, cumprimentou alguns membros da família, no geral, primos e tios, e dirigiu-se ao banheiro para tomar um bom e relaxante banho.Após seu banho, vestiu seu roupão e foi comer algo junto de suas primas. Quando se deu por conta, eram pouco mais de nove horas. Por Deus! Tinha de se trocar!
Correu ao banheiro para escovar os dentes e depois pulou para o quarto, logo abrindo o guarda-roupa e tirando de lá as vestes.
O apartamento todo estava uma loucura. Gente pra lá, gente pra cá. Simplesmente amava estas datas nas quais toda a família se reunia e tudo era divertido. O quarto estava cheio de mulheres: primas, tias, sua irmã, sua mãe. Era uma falação só. Uma pedindo a opinião da outra, uma dando uns pontos na camisa da outra, uma fazendo o cabelo da outra, uma acotovelando a outra pra usar o espelho e a maquiagem.
Vestiu seu shorts prata e sua regata branca com detalhes pratas, trançou o cabelo e maquiou-se de maneira simples e graciosa. Calçou seu par de chinelos e pronto. Estava prontinha para a virada do ano.Foi a primeira mulher a ficar pronta. Sentou-se ao sofá com três de seus primos e, como já previa, o de idade mediana, André, soltou o típico comentário:
- Vocês, mulheres, são tão enroladas! - e os outros dois concordaram, se ajeitando no sofá.
A moça apenas riu e disse:
- Mas é claro que somos! Se não fôssemos, vocês não gostariam tanto da gente, seus babacas!
- Ei, vai com calma... - respondeu, entretido, Tadeu, o mais novo.
- Ah, gente, pelo amor de Deus. O mundo pra vocês é tão fácil! - ela riu do próprio drama excessivo que, a propósito, odiava quando as pessoas o colocavam em prática, tornando-a contraditória.
- Fácil?! Fácil, nada! A gente sempre fica com o trabalho pesado! - retrucou Fernando, o mais velho.
- Ah, é? Trabalho pesado? Aposto que não aguentariam um dia como mulheres! Aposto que enlouqueceriam tendo que usar absorventes, calcinhas apertadas, sutiãs, tendo que arrumar os cabelos tendo que combinar todas as peças de roupa, tendo que forrar o vaso sanitário todas as vezes que urinar fora de casa. E vocês, homens, em dias como estes, assim como todos os outros, apenas colocam uma bermuda preta, uma camiseta colorida, um boné para não ajeitar o cabelo, um chinelo e, se der vontade de urinar, quer dizer, de mijar, vocês mijam de pé! Quer mais mordomia que isso? Vocês tem um membro a mais que, quando encontram-se em lugares sujos, ajuda muito!
Os quatro começaram a rir. Eles, por saber que ela tinha razão e por acharem realmente engraçado, sabe-se lá por quê. E ela, por sempre conseguir convencê-los daquilo; todo ano!
O apartamento era uma movimentação só. Gente andando, correndo, gritando, falando, bebendo, comendo. Então seu pai chamou a atenção dos que encontravam-se na sala, ergueu a mão que segurava a garrafa de champagne e disse em voz alta:
- Vamos, gente! Se não nos apressarmos, não vai restar lugar para pularmos as sete ondas! - e riu-se.
Era todo ano a mesma frase e todo ano todos fingiam que achavam engraçado e riam para não deixá-lo sem graça.
Ela se levantou junto com os primos e dirigiu-se à porta. Os que não ouviram o anúncio, começaram a deixar ao apartamento graças ao fato de que repararam o fluxo naquela direção.
Nas ruas que levavam à praia, um batalhão seguia quase junto: era sua família. Ela achava enorme graça nisso tudo. Eles faziam um barulho estrondoso por onde passavam, era incrível! As crianças corriam em círculos, enlouquecendo os adultos, os adolescentes andavam e riam juntos de sabe-se lá o quê, os adultos sorriam e compartilhavam algum tipo de conversa adulta.
Chegou à praia e viu o mar. Mal viu o mar que vira mais cedo, agora via apenas o mar de gente que se estendia por toda a areia, encobrindo-a quase que por inteiro. A maioria das pessoas vestia branco, pulava, ria e falava alto. Morgana simplesmente adorava todo aquele clima festivo e alegre.
Depois de algum tempo, um coro começou a contagem regressiva junto com um enorme relógio digital de um dos prédios. Enfim: ZERO!
Finalmente a queima dos fogos, as tampinhas das garrafas voando, os estalinhos destas sendo abertas, todos se abraçando e se cumprimentando. Abraçou todos da família, dizendo a cada um "Ótimo ano novo!" e desejando sinceramente que alcançassem todos os seu objetivos e metas.
Dirigiu-se ao mar desviando das pessoas que postavam-se à sua frente. Quase toda a família a acompanhava. Não poderia deixar de fazer aquela simpatia. Não que fosse exageradamente supersticiosa, mas gostava daquilo.
Pulou as sete ondas e, em cada pulo, um pedido diferente. O último deles e o que foi feito com mais intensidade foi: "Que o mundo mude sa perspectiva sobre si mesmo."
Era isso, agora não podia dar as costas ao mar, saiu e, ao chegar ao asfalto, despediu-se da imensidão azul. Deseja com ardor que seu pedido fosse atendido por algum santo ou deus, estava simplesmente cansada de ver o mundo daquele jeito. Ah, mas é claro que também não pôde colocar o egoísmo de lado e pedir um namorado que valesse a pena.
Era isso, um novo ano começava. E sabia que este ia passar mais rápido que o anteiror. Ultimamente tudo estava assim: progressiva e quase que perigosamente mais rápido.


Que o ano de 2008 lhes traga enormes felicidades e lições, e que dele vocês consigam adquirir muita experiência de vida e que suas barrigas doam de rir quando se lembrarem dele.
Eu posto quando voltar do outro planeta.
Obrigada pela atenção.
Natália Albertini.

Nenhum comentário: