terça-feira, 4 de dezembro de 2007

"Todas as estrelas que ousaram brilhar em seu céu foram consideradas por ela apenas amontoados de poeira mais atrevidos que o normal, nada além disso.Já não mais se importava com falsos pensamentos voadores dos que dividiam o espaço com ela. Já não mais erguia a voz, já não mais defendia seus arco-íris, tentava apenas não deixar seus monstrinhos escaparem do cercadinho emaranhado de neurônios.Sentia-se agora maior que qualquer outro ser de sua abominável espécie. Sentia que poderia pisar quando bem entendesse em seus supostos líderes cujos ideais eram tão imundos quanto suas próprias ações.Apesar da raiva que há muito nutria, agora não mais poderia simplesmente achatar os tais infelizes. Não, algo maior que ela dizia que talvez em algum ponto remoto daquela massa de mediocridade que era seu ex-ídolo poderia haver um indício de inocência que, se atingido, talvez revertesse as atitudes do desgraçado.A coisa maior, o brilho da Lua que um dia ousou reger seus olhos, dizia que ela talvez pudesse ensinar ao invés de apenas matá-lo. Isto seria fácil demais e não traria maiores satisfações mais tarde. Entretanto, talvez o ainda atual ídolo de muitos não fosse merecedor de nenhuma das duas dádivas, ou oportunidades. Talvez ele merecesse apenas ser engolido pelo mundo que julgava ser seu tão fiel e protetor guardião.Aos olhos do líder de toda aquela infeliz espécie, o mundo não se parecia em nada com o que ela via, isto é, um gigante com garras de tigre, dentes de leão, língua de cobra, mente de psicopata, olhos de águia e de vida e alma quase que próprias. Não, o maldito líder o via como um verdejante jardim onde todas as borboletas gostariam de pousar e passar a vida inteira ali, embora a vida de algumas durasse apenas poucas horas.O amaldiçoado era considerado um queridinho, ele se julgava um abençoado pelo mundo e pelo deus que adorava. Pobre homem, quantos caracóis enfiaram-lhe na cabeça.Talvez fosse mais útil, ao menos por hora, bloquear tais fluxos, seus monstrinhos já estavam para pular os neurônios emaranhados.Assim que os conteve novamente, passou a crescer.Crescia cada vez mais. Era como se seus pensamentos e filosofias adicionados ao controle de seus monstrinhos a inflassem, aumentassem seu tamanho cada vez mais.Crescia e crescia, logo alcançaria os ousados amontoados de poeira vazios de coração e cheios de impulsos nervosos."

Natália Albertini.

Nenhum comentário: