terça-feira, 2 de setembro de 2008

Antídoto.

A caneca gorda e hialina em cima do balcão havia sido esvaziada brutalmente. Restavam apenas alguns resquícios do líquido amarelo e espumante, que se esvaía gota a gota. A lâmpada fluorescente ao lado do refrigerador, fraca, reclamava, incessante. Em cima da mesa verde aveludada, uma mancha escura e pegajosa. A bola oito tinha uma terceira cor: o vermelho escuro. Um pedaço do couro do casaco da criatura notívaga foi esquecido ao pé da mesa, ao lado do taco. O plasma gotejava da rede com bolas no mesmo ritmo da bebida de cevada a três metros e meio; seus barulhos, entretanto, não se misturavam, muito menos seus cheiros. A mancha era iluminada em intervalos regulares pela luz vermelha e gritante que vinha da frente do tumulto de curiosos fora do bar da Avenida São João.

Natália Albertini.

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